Os eventos no Oriente Médio continuam a ter um impacto significativo nos mercados, agitando as cotações. No entanto, os participantes do mercado não descartam as notícias tradicionais e os fatores econômicos. Assim, após a publicação dos dados do mercado de trabalho dos EUA (de maio) na primeira semana do mês, os participantes do mercado aguardarão a publicação dos dados sobre a dinâmica da inflação nos EUA na próxima semana para avaliar melhor as perspectivas da política monetária do Fed.

Além disso, na próxima semana (08.06.2026 -14.06.2026) os participantes do mercado prestarão atenção à publicação de macro estatísticas importantes da China, Alemanha, EUA e também aos resultados das reuniões do Banco do Canadá e do BCE.

Nota: durante a próxima semana, alguns eventos podem ser adicionados e/ou cancelados no calendário. Hora especificada – GMT

Neste artigo analisaremos:


Pontos principais

  • Segunda-feira: publicação de macro-estatísticas importantes não está prevista
  • Terça-feira: publicação de macro-estatísticas importantes não está prevista
  • Quarta-feira: índices CPI da China, índices CPI dos EUA, decisão do Banco do Canadá sobre a taxa de juros
  • Quinta-feira: decisão do BCE sobre a taxa de juros, índices PPI dos EUA
  • Sexta-feira: índices CPI alemães, índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan
  • Evento central da semana: índices CPI americanos

Segunda-feira, 08 de Junho

A publicação de macro-estatísticas importantes não está prevista.

Terça-feira, 09 de Junho

A publicação de macro-estatísticas importantes não está prevista. No entanto, vale a pena prestar atenção à publicação (às 03:00 GMT) de dados sobre a dinâmica da balança comercial externa da China que pode criar um impulso, principalmente para a dinâmica do mercado asiático, bem como do yuan e de suas moedas de correlação, o dólar australiano e o dólar neozelandês.

Quarta-feira, 10 de Junho

01:30 – CNY: Índice de preços ao consumidor(CPI)

O Escritório Nacional de Estatísticas da China apresentará os novos dados mensais que mostram a dinâmica dos preços ao consumidor na China. O crescimento dos preços ao consumidor pode provocar uma aceleração da taxa de inflação, o que pode forçar o Banco Popular da China a tomar medidas direcionadas para o aperto da política fiscal. O fortalecimento do aumento de inflação ao consumidor pode causar encarecimento do yuan; um resultado baixo vai pressionar o yuan.

A economia da China é a segunda após a americana. Também a China é o maior comprador de commodities e o fornecedor de produtos acabados do mais amplo espectro para o mercado global. Por isso, a divulgação dos indicadores macroeconômicos importantes deste país tem influência marcante sobre mercados financeiros, em primeiro lugar, sobre as posições do yuan, outras moedas asiáticas, dólares, moedas de commodities, e também sobre índices de bolsas de valores chineses e asiáticos.

Em abril de 2026 o valor do índice de inflação ao consumidor foi +0,3% (+1,2% em termos anuais) após -0,7% (+1,0% em termos anuais) em março, +1,0% (+1,3% em termos anuais) em fevereiro, +0,2% (+0,2% em termos anuais) em janeiro de 2026, +0,2% (+0,8% em termos anuais) em dezembro de 2025, -0,1% (+0,7% em termos anuais) em novembro, +0,2% (+0,2% em termos anuais) em outubro, +0,1% (-0,3% em termos anuais) em setembro, 0% (-0,4% em termos anuais) em agosto, +0,4% (0% em termos anuais) em julho, +0,1% (+0,1% em termos anuais) em junho, -0,2% (-0,1% em termos anuais) em maio, +0,1% (-0,1% em termos anuais) em abril, -0,2% (-0,7% em termos anuais) em fevereiro, +0,7% (+0,5% em termos anuais) em janeiro de 2025.

O crescimento do índice de inflação ao consumidor tem um impacto positivo sobre a cotação do yuan, bem como a de moedas de commodities. Mesmo assim, os dados piores do que a previsão e a queda relativa do índice IPC podem ter um impacto negativo. Em grande medida isso se refere ao dólar australiano e neozelandês, porque a China é o maior parceiro comercial e econômico da Austrália e da Nova Zelândia.

12:30 – USD: Índices de preços ao consumidor

O Índice de preços ao consumidor determina a variação de preços de uma cesta selecionada de bens e serviços num período de tempo determinado e é um indicador-chave para a avaliação de inflação e as alterações de preferências dos compradores. O indicador básico (Core IPC) exclui os alimentos e a energia para obter uma avaliação mais precisa.

O resultado alto fortalece o dólar dos EUA, por isso a probabilidade do aumento da taxa de juros do Fed se eleva, e o resultado baixo o enfraquece.

Valores anteriores (em termos anuais):

  • CPI: +3,8%, +3,3%, +2,4% (em fevereiro e janeiro de 2026), +2,7% (em dezembro e novembro de 2025), +3,0%, +2,9%, +2,7%, +2,7%, +2,4%, +2,3%, +2,4%, +2,8%, +3,0% em janeiro de 2025, +2,9%, +2,7%, +2,6%, +2,4%, +2,5%, +2,9%, +3,0%, +3,3%, +3,4%, +3,5%, +3,2%, +3,1%, +3,4%, +3,1% +3,2%, +3,7%, +3,7%, +3,2%, +3,0%, +4,0%, +4,9%, +5,0%, +6,0%, +6,4% (em janeiro de 2023),
  • Core CPI: +2,8%, +2,6%, +2,5% (em fevereiro e janeiro de 2026), +2,6% (em dezembro e novembro de 2025), +3,0%, +3,1%, +3,1%, +2,9%, +2,8%, +2,8%, +2,8%, +3,1%, +3,3% em janeiro de 2025, +3,2%, +3,3%, +3,3%, +3,3%, +3,2%, +3,2%, +3,3%, +3,4%, +3,6%, +3,8%, +3,8%, +3,9%, +3,9%, +4,0%, +4,0%, +4,1%, +4,3%, +4,7%, +4,8%, +5,3%, +5,5%, +5,6%, +5,5%, +5,6% (em janeiro de 2023).

Os dados mostram um reinício do crescimento da inflação que os economistas atribuem principalmente ao aumento dos preços da energia devido aos acontecimentos no Oriente Médio e em volta do Estreito de Оrmuz. Os indicadores anteriores também indicavam uma queda mais lenta do que o esperado pelo Fed, embora isso seja muito menor do que em 2022, quando em junho a inflação anual nos Estados Unidos atingiu uma alta de 40 anos de 9,1%. A inflação nos Estados Unidos ainda é significativamente maior do que o nível meta do Fed de 2%, o que forçará os chefes do Banco Central americano a manter a taxa de juros em níveis elevados e, com um possível corte na taxa, fazer uma longa pausa para avaliar a situação da economia e do mercado de trabalho do país.

Se os dados confirmarem a diminuição da inflação ou resultarem mais fracos da previsão, o dólar, provavelmente, vai reagir com uma queda no curto prazo. Os dados superiores à previsão e aos valores anteriores fortalecerão o dólar porque aumentarão a probabilidade de manutenção da taxa de juros do Fed nos níveis altos durante o tempo mais longo e de retorno do Banco Central dos EUA a um ciclo de aperto.

13:45 – CAD: Decisão do Banco do Canadá sobre a taxa de juros. Declaração acompanhante do Banco do Canadá

No entanto, na reunião de 05 de junho de 2024, o Banco do Canadá pela primeira vez desde julho de 2023 reduziu a taxa de juros em 0,25%, para 4,75%, realizando uma queda de 1,75% de uma vez (175 pontos base) em 2024 e, em seguida, em outubro de 2025, trazendo-a para 2,25%, onde está atualmente.

Qual será a decisão do Banco do Canadá desta vez, ainda não está claro, dados os acontecimentos no Oriente Médio e o aumento drástico dos preços do petróleo. É possível que nesta reunião o Banco do Canadá fará uma pausa.

Um tom duro da declaração acompanhante do Banco do Canadá em relação às perspectivas da política monetária vai gerar o fortalecimento do dólar canadense. Se o Banco do Canadá sinalizar a necessidade de uma política monetária suave, a moeda canadense vai cair.

14:30 – CAD: Coletiva de imprensa do Banco do Canadá

Durante a coletiva de imprensa o presidente do Banco do Canadá Tiff Macklem vai aclarar a posição do banco e dar uma avaliação da situação atual na economia do país. Se ele adotar o tom rígido em relação à política monetária do Banco do Canadá, o dólar canadense vai ganhar força no mercado de câmbio. Se Tiff Macklem falar a favor de manter a política monetária suave, a moeda canadense vai cair. De qualquer forma, durante o seu discurso se espera uma volatilidade alta nas cotações do CAD.

Quinta-feira, 11 de Junho

12:15 – EUR: Decisão do BCE sobre as taxas. Declaração do BCE sobre a política monetária

O BCE publicará a sua decisão sobre a taxa-chave e a taxa de depósito que estão atualmente em 2,15% e 2,00%, respectivamente.

A posição rígida do BCE sobre a inflação e o nível de taxas básicas de juros contribui para o fortalecimento do euro, a posição suave e a redução das taxas enfraquecem o euro. Tendo em conta o nível alto e crescente da inflação na Eurozona, segundo os diretores do BCE, o equilíbrio de riscos para as perspectivas econômicas da zona euro «continua sendo orientado para a direção negativa».

Ao mesmo tempo, o BCE deixou claro que, se o processo de deflação for retomado, as taxas de juros serão reduzidas novamente. O BCE acredita que o crescimento do BCE pode ser desacelerado significativamente ou até mesmo começar a diminuir, entre outras coisas, devido à crise energética no UE, incerteza elevada, abrandamento da atividade econômica mundial e restritividade das condições do financiamento, além de um confronto tarifário com os Estados Unidos.

É possível que, nas novas realidades (os altos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio), o BCE possa assumir uma posição mais rígida, apesar dos altos riscos de recessão na Eurozona. No entanto, a opção de uma pausa não está descartada.

Um tom mais suave de declarações sobre a política monetária terá um impacto negativo no euro. Por outro lado, um tom duro fortalecerá o euro.

12:30 – USD: Índice de preços ao produtor (PPI)

O índice de preços ao produtor avalia a média de alterações dos preços de venda no atacado determinados pelos produtores em todas as fases da produção. É um dos dos principais indicadores da inflação nos EUA avaliando a média de alterações dos preços de venda no atacado dos produtores.

Visto que os custos crescentes de produção sobem os preços de venda no atacado, isso, no final, aumenta a inflação ao consumidor. A alta da inflação (em condições econômicas normais) geralmente coloca pressão altista nas cotações da moeda nacional, porque envolve a política monetária mais rígida do BC.

Valores anteriores: +1,4% (+6,0% em termos anuais), +0,7% (+4,3% em termos anuais), +0,5% (+3,4% em termos anuais), +0,6% (+3,1% em termos anuais) em janeiro de 2026, +0,4% (+3,2% em termos anuais) em dezembro de 2025, +0,4% (+3,1% em termos anuais), +0,1% (+2,8% em termos anuais), +0,6% (+3,0% em termos anuais), -0,2% (+2,7% em termos anuais), +0,8% (+3,2% em termos anuais), +0,1% (+2,4% em termos anuais), +0,4% (+2,7% em termos anuais), -0,3% (+2,4% em termos anuais), -0,2% (+3,2% em termos anuais), +0,1% (+3,4% em termos anuais), +0,7% (+3,8% em termos anuais) em janeiro de 2025.

Se os dados resultarem superiores à previsão (superiores aos valores de previsão), o dólar, provavelmente, se fortalecerá. E vice versa, os dados inferiores à previsão e aos valores anteriores colocarão no Fed pressão no momento de tomar uma nova decisão para flexibilizar a política monetária, o que afetará o dólar do jeito negativo.

12:45 – EUR: Coletiva de imprensa do BCE

A coletiva de imprensa estará no foco dos participantes do mercado. No seu curso é possível um aumento de volatilidade nem só nas cotações do euro, mas também em todo o mercado financeiro, se os chefes do BCE fizerem declarações inesperadas. Os líderes do BCE darão sua avaliação da situação econômica atual na Zona Euro e comentarão a decisão do Banco sobre as taxas. Nos anos anteriores, como resultado de várias reuniões do BCE e coletivas de imprensa subsequentes, o euro mudava 3-5% num período curto de tempo.

Um tom mais suave de declarações terá um impacto negativo no euro. E, vice-versa, um tom rígido do discurso dos representantes do Conselho do BCE em relação à política monetária do banco central fortalecerá o euro.

Sexta-feira, 12 de Junho

06:00 – EUR: Índice de preços ao consumidor harmonizado na Alemanha (avaliação final)

O índice de preços ao consumidor harmonizado (IHPC) é publicado pelo Escritório de Estatísticas da União Europeia e é calculado com base na metodologia estatística acordada entre todos os países da União Europeia. É um indicador para avaliar a inflação e é usado pelo Conselho de Administração do BCE para a avaliação do nível de estabilidade de preços. O resultado positivo fortalece o EUR, o resultado negativo enfraquecê-lo.

Valores anteriores do indicador: +2,9%, +2,8%, +2,0%, +2,1% (em janeiro de 2026), +2,0%, +2,6%, +2,3%, +2,4%, +2,1%, +1,8%, +2,0%, +2,1%, +2,2%, +2,3%, +2,6%, +2,8% (em janeiro de 2025), +2,8% (em dezembro de 2024), +2,4%, +1,8%, +2,0%, +2,6%, +2,5%, +2,8%, +2,4%, +2,3%, +2,7%, +3,1% em janeiro de 2024, +3,8% em dezembro, +2,3% em novembro, +3,0% em outubro, +4,3% em setembro, +6,4% em agosto, +6,5% em julho, +6,8% em junho, +6,3% em maio, +7,6% em abril, +7,8% em março, +9,3% em fevereiro, +9,2% em janeiro, +9,6% em dezembro, +11,3% em novembro, +11,6% em outubro, +10,9% em setembro, +8,8% em agosto, +8,5% em julho, +8,2% em junho, +8,7% em maio, +7,8% em abril, +7,6% em março, +5,5% em fevereiro, +5,1% em janeiro de 2022 (em termos anuais).

Os dados sugerem uma inflação ainda alta e até mesmo uma aceleração em alguns períodos, o que, por sua vez, pressiona o BCE a apertar sua política monetária, apesar dos riscos de uma recessão na Eurozona.

Os dados mais fracos do que o valor anterior, provavelmente, vão impactar negativamente no euro. E, ao contrário, o novo crescimento da inflação pode levar a um fortalecimento do euro. O crescimento do indicador é um fator positivo para o euro.

Se os dados de maio resultarem melhores dos valores anteriores, o euro pode se fortalecer no curto prazo.

Avaliação preliminar foi: +2,7%.

14:00 – USD: Índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan (comunicado preliminar)

Este indicador reflete a certeza dos consumidores norte-americanos no desenvolvimento econômico do país. O nível alto indica o crescimento econômico, enquanto o nível baixo aponta para sua recessão. Valores anteriores do indicador: 44,8, 49,8, 53,3, 56,6, 56,4 em janeiro de 2026, 52,9 em dezembro de 2025, 51,0 em novembro, 53,6 em outubro, 55,1 em setembro, 58,2 em agosto, 61,7 em julho, 60,7 em junho, 52,2 em maio e abril, 57,0 em março, 64,7 em fevereiro, 71,1 em janeiro de 2025. O crescimento do indicador fortalecerá o USD, e a sua queda enfraquecerá o dólar. Os dados sugerem a irregularidade da recuperação de este indicador, o que é negativo para o USD. Os dados piores dos valores anteriores podem ter um impacto negativo no dólar no curto prazo.


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