O ciclo de Benner é um dos métodos de trading mais populares baseados na teoria dos ciclos do mercado de ações. Trata-se de um modelo bem conhecido de previsão gráfica. Hoje existem muitas teorias semelhantes, mas seus defensores acreditam que o ciclo de Benner é mais preciso e destacam que ele vem sendo usado para prever grandes acontecimentos há mais de 150 anos.

Esse modelo permite fazer previsões para operações de longo prazo. Além disso, o método é aplicado na análise de ondas quando é necessária uma previsão de 5–10 anos.

Uma estratégia de trading baseada em ciclos de mercado pode ajudar os traders a obter lucros estáveis no longo prazo. Este artigo explica como usar esse método de forma eficaz no trading.

Neste artigo analisaremos:


Principais conclusões

O que é o ciclo de Benner?

O ciclo de Benner é um modelo de desenvolvimento econômico baseado na alternância de períodos de crescimento e de declínio. Segundo o modelo, os períodos de otimismo são seguidos por quedas com bastante regularidade, e o ciclo se repete aproximadamente a cada 30 anos.

As três fases do ciclo de mercado de Benner

A primeira fase é a acumulação, quando os investidores compram ativos nas mínimas do mercado. A segunda fase é a alta, quando os preços sobem e geram lucros. A terceira fase é a distribuição, quando as posições são encerradas e o mercado se prepara para uma queda.

Qual é o melhor momento para comprar?

Segundo o modelo, o melhor momento para comprar ativos é a fase de acumulação, quando os mercados estão nas mínimas. Nesse período, os grandes investidores começam a comprar ativos à espera de novas altas. 

Qual é o melhor momento para vender?

O melhor momento para vender ativos é a fase de distribuição, quando o mercado está sobrecomprado. Nesse período, os grandes investidores lucram vendendo ativos aos demais participantes do mercado.

Qual é a precisão do ciclo de Benner?

No cenário atual do mercado, o ciclo de Benner é mais um modelo de previsão do que uma estratégia de trading de Smart Money. Ele aponta possíveis mudanças no sentimento do mercado, embora o momento e a intensidade das oscilações dependam em grande parte de fatores externos. Por isso, o ciclo de Benner deve ser visto mais como uma referência geral de mercado do que como um indicador.

O ciclo de Benner ainda é relevante hoje?

O modelo ainda é usado como indicador complementar. Ele ajuda a avaliar o sentimento do mercado e a identificar possíveis pontos de inflexão nas grandes tendências. No entanto, usá-lo como estratégia independente só faz sentido em um horizonte de investimento de prazo muito longo.

Quem foi Samuel Benner e por que ele criou esse gráfico?

A maioria dos traders sabe que os preços de mercado se movem em ondas, subindo e caindo ao longo do tempo. Para obter resultados consistentes, é preciso identificar os ciclos de mercado com antecedência. Há cerca de 150 anos, o criador de porcos americano Samuel Benner representou esse padrão em um gráfico. Depois de falir, ele criou o gráfico do ciclo de Samuel Benner, que descreve os ciclos de mercado e é usado até hoje.

LiteFinance: Quem foi Samuel Benner e por que ele criou esse gráfico?

Samuel Benner não era um financista profissional nem professor de economia. Esse criador de porcos vivia em Ohio, onde cultivava milho e mantinha uma criação de animais. Sua fazenda garantia uma renda estável até que uma grave crise financeira eclodiu nos EUA em 1873, mais tarde conhecida como Pânico de 1873. O pânico bancário de 1873 levou à contração do crédito e à queda da demanda por produtos agrícolas, e a fazenda de Benner ainda foi atingida pela cólera suína. Como resultado, ele perdeu sua propriedade e ficou endividado.

Muitas pessoas nessa situação simplesmente teriam desistido, mas Benner decidiu entender o que estava acontecendo e descobrir por que os preços das commodities às vezes subiam rapidamente e depois caíam de forma acentuada, levando os produtores à falência.

Depois de perder a fazenda, ele começou a estudar dados históricos. Benner comparou os preços do ferro-gusa, do milho e dos porcos em busca de padrões ocultos. Em 1875, publicou um livro em que defendia que as crises não ocorriam por acaso. Na visão dele, os movimentos de preços seguiam os ciclos da natureza, incluindo os ciclos solares. Essas ideias formaram a base do ciclo original de Benner.

Gráfico do ciclo de Benner explicado: o que ele mostra aos investidores

O gráfico do ciclo de Benner é um diagrama de ciclos de mercado projetado para muitas décadas à frente. Ao contrário dos indicadores convencionais, baseados em dados atuais e históricos, o gráfico de Benner mostra os períodos em que se espera uma mudança nas condições do mercado. Basicamente, o gráfico indica aos investidores quando as oportunidades de lucro podem aumentar e quando pode ser melhor preservar o capital.

No gráfico, Benner identificou três níveis, que correspondem a três condições de mercado e a três fases de redistribuição do capital. Em essência, é um gráfico de ciclos do mercado de ações que abrange longos intervalos de tempo.

LiteFinance: Gráfico do ciclo de Benner explicado: o que ele mostra aos investidores

O nível superior representa os períodos de euforia máxima do mercado, ou anos de pânico. O nível intermediário corresponde aos preços máximos — bons tempos para os negócios. O nível inferior representa os períodos de forte recessão econômica, ou tempos difíceis (preços baixos). Benner chamou esses níveis de A, B e C. Cada um indica uma ação sugerida para os traders no período correspondente: comprar ações, vender ações ou manter o dinheiro em conta.

A — anos de pânico

A zona A fica na parte superior do gráfico. São os anos de pânico. Nesse período, o otimismo do mercado atinge o auge. O noticiário fala cada vez mais em formas fáceis de ganhar dinheiro. Investidores inexperientes tomam empréstimos, usam a alavancagem máxima e compram ativos que já subiram muito. Ao mesmo tempo, os grandes fundos vendem seus ativos aos demais participantes do mercado.

LiteFinance: A — anos de pânico

Quando o dinheiro novo se esgota, os preços podem cair de forma acentuada. As posições perdedoras são encerradas à força, e os preços dos ativos recuam de forma significativa. Em seu livro, Benner alertava para os riscos de manter ativos nesses períodos. Esse é um sinal-chave do ciclo de Benner: segundo o modelo, os traders devem sair de suas posições no topo.

Para os traders, isso é um sinal de cautela. Comprar ativos nos preços máximos pode ser um negócio arriscado. Pode ser melhor encerrar as posições compradas, manter os recursos disponíveis em conta ou, com cautela, abrir posições vendidas depois que a reversão for confirmada.

B — bons tempos para ganhar dinheiro (preços altos, hora de vender)

O nível B representa os bons tempos (preços altos). A economia cresce, as empresas recebem mais pedidos e divulgam lucros elevados, e os especialistas esperam mais crescimento.

Todos os sinais podem sugerir que os investidores devem continuar comprando ativos. No entanto, Samuel Benner propunha uma abordagem diferente. A fase B envolve vender títulos e commodities e realizar lucros, pelo menos em parte. Segundo Benner, esses são os períodos para ganhar dinheiro vendendo os ativos comprados antes, durante a queda.

LiteFinance: B — bons tempos para ganhar dinheiro (preços altos, hora de vender)

Nesse ponto, os iniciantes enfrentam um grande desafio psicológico. Quando o mercado está subindo, pode ser difícil encerrar uma operação lucrativa. A ganância leva os traders a esperar mais, porque eles acreditam que os preços vão subir ainda mais. Já os traders profissionais e os grandes participantes do mercado podem reduzir suas posições gradualmente nesse período. Entender a teoria dos ciclos de mercado os ajuda a escolher o momento certo de sair.

No mercado real, quando a fase B começa, recomendo definir ordens de stop de proteção, como um trailing stop, subindo-as gradualmente à medida que o preço avança, e encerrar parte da posição. Não é preciso tentar capturar os últimos pontos do movimento: o possível lucro extra pode não compensar o risco de perder os ganhos já obtidos. Períodos de expansão e de colapso se sucedem, então o objetivo do trader é sair da posição antes do crash da bolsa.

C — tempos difíceis (preços baixos, hora de comprar)

O nível C representa os tempos difíceis (preços baixos). É um período de recessão econômica, queda da produção, desemprego alto e preços mínimos das commodities. A mídia está cheia de notícias sobre problemas econômicos. Muitos investidores de varejo se decepcionam com o trading ao verem seus ativos virarem pó. São dias sombrios para as bolsas globais, com o pessimismo predominando entre os participantes do mercado. Parece familiar? Vimos um período semelhante há pouco tempo.

LiteFinance: C — tempos difíceis (preços baixos, hora de comprar)

Os traders profissionais costumam chamar essa fase de período de acumulação. Os grandes participantes do mercado podem comprar gradualmente ativos mais baratos de investidores que vendem em pânico. Segundo a regra de Benner, ações, imóveis e commodities devem ser comprados na fase C e mantidos até o próximo período de crescimento econômico. A precisão do ciclo de Benner na identificação desses pontos de virada não foi comprovada, por isso o modelo deve ser usado como uma referência geral, e não como uma previsão exata.

Comprar ativos quando o pânico e o medo dominam o mercado pode ser psicologicamente difícil. Isso exige uma abordagem tranquila e uma gestão rigorosa do capital. É melhor comprar ativos aos poucos, em pequenas quantidades, e evitar alavancagem excessiva. Essa abordagem ajuda a limitar o risco e está de acordo com os princípios de gerenciamento de risco para investimentos de longo prazo.

Os três ciclos matemáticos por trás do gráfico de Samuel Benner

Benner baseou sua teoria dos ciclos de mercado em dados históricos e em sequências de tempo recorrentes. O ciclo identifica os movimentos com base em três sequências recorrentes, associadas a pânicos, preços altos e preços baixos. Para entender como funciona o ciclo de Benner como um todo, vale analisar cada sequência separadamente.

LiteFinance: Os três ciclos matemáticos por trás do gráfico de Samuel Benner

Ciclo do preço do ferro-gusa: 8, 9, 10 anos e 11, 9, 7 anos

No século XIX, o ferro-gusa era uma commodity industrial importante, e a variação de seu preço refletia a situação da indústria. Ao analisar os preços do ferro-gusa, Benner identificou um padrão. Segundo suas observações, os períodos de preços máximos ocorriam em intervalos de 8, 9 e 10 anos, depois dos quais a sequência recomeçava. Os preços baixos ocorriam em intervalos de 11, 9 e 7 anos.

Os intervalos de cada sequência somam 27 anos. Assim, no modelo de Benner, os preços do ferro-gusa seguiam um ciclo de 27 anos.

Ciclo agrícola: ciclos de 5–6 anos nos preços do milho e dos porcos

A segunda observação de Benner dizia respeito aos produtos agrícolas. Ele acompanhava os preços dos grãos e dos porcos e tentava explicar suas oscilações periódicas por fatores naturais, incluindo o ciclo solar de 11 anos. Segundo suas observações, o volume das colheitas era um fator-chave para a oferta agrícola e, portanto, para os preços. Preços altos e baixos se alternavam, criando intervalos recorrentes. Colheitas boas e ruins afetavam a oferta, provocando altas e baixas nos preços dos grãos.

Ciclo de pânico: crises financeiras a cada 16, 18 e 20 anos

O terceiro ciclo de Benner descreve a recorrência dos pânicos financeiros. Depois de analisar crises passadas, Benner sugeriu que os intervalos entre esses eventos seguiam uma sequência de 16, 18 e 20 anos.

Juntos, esses intervalos formam uma sequência de 54 anos, depois da qual o padrão se repete. Assim, no modelo de Benner, o ciclo completo do mercado de ações associado aos pânicos financeiros dura 54 anos.

Qual é a precisão do ciclo de Benner? Evidências históricas

Toda estratégia ou teoria de trading deve ser testada com dados históricos. Comparar as previsões de Benner com as crises reais dos séculos XX e XXI revela algumas coincidências que parecem surpreendentemente precisas. No entanto, essas coincidências por si sós não comprovam a capacidade de previsão do modelo.

Coincidências notáveis: a Grande Depressão, o crash das ponto com e a crise de 2008

Uma das coincidências mais conhecidas está ligada aos acontecimentos de 1929. Esse período ficou próximo de uma zona de crise no gráfico do ciclo de Benner. No outono de 1929, a bolsa americana quebrou, e a recessão que se seguiu se transformou na Grande Depressão. A crise de 1929 foi um dos maiores crashes da história do mercado americano.

A queda continuou nos anos seguintes. Em julho de 1932, o Dow Jones atingiu sua mínima, com uma perda de cerca de 89% em relação ao pico de 1929. Para os investidores de longo prazo, os preços baixos criaram oportunidades de compra.

LiteFinance: Coincidências notáveis: a Grande Depressão, o crash das ponto com e a crise de 2008

Outro exemplo são os acontecimentos de 1999–2000. Esse período também ficou próximo de uma das zonas de crise do gráfico do ciclo de Benner. Em 2000, a bolha das empresas ponto com começou a estourar, e o Nasdaq Composite acabou perdendo cerca de 78% em relação ao pico.

Algumas versões modernas do gráfico também marcam 2007 como um período de preços altos. A crise das hipotecas nos EUA começou em 2007 e desembocou na crise de 2008. Essas coincidências costumam ser citadas como exemplos de alinhamento do modelo de Benner com eventos reais do mercado, mas, por si sós, não comprovam sua capacidade de previsão.

Onde o modelo falha: intervenção do Fed e defasagens no tempo

Apesar de algumas coincidências notáveis, o modelo de Benner nem sempre corresponde aos movimentos reais do mercado. Por exemplo, o gráfico do ciclo de Benner indicava um período de preços baixos por volta de 2012. Na realidade, os mercados financeiros chegaram ao fundo após a crise das hipotecas cerca de três anos antes. O S&P 500 atingiu sua mínima em março de 2009, caindo para cerca de 677 pontos. 

LiteFinance: Onde o modelo falha: intervenção do Fed e defasagens no tempo

Há alguns motivos para essa defasagem, incluindo a evolução da regulação econômica. O Federal Reserve dos EUA ainda não existia na época de Benner, e os instrumentos modernos de política monetária não eram usados. Os bancos centrais e as autoridades financeiras podem influenciar a duração das recessões e das recuperações, alterando a dinâmica do mercado. Além disso, a Segunda Guerra Mundial e a recuperação que se seguiu tiveram um grande impacto na economia global e podem ter rompido o padrão cíclico proposto.

Os traders devem usar o ciclo de Benner hoje?

Os investidores de hoje devem tomar decisões com base apenas em um calendário criado há 150 anos? Do ponto de vista racional, é claro que não. Operar exclusivamente com base em ciclos históricos em mercados imprevisíveis, sem considerar as condições atuais, envolve um risco elevado. No entanto, o modelo de Benner ainda pode ser útil hoje como referência complementar. 

Uso dos ciclos no trading de médio prazo

Use o gráfico do ciclo de Benner para avaliar o cenário geral do mercado em tempos gráficos maiores, do semanal ao mensal. Isso pode ajudar a identificar futuras altas e baixas e a determinar a direção da tendência principal.

Se o modelo indicar a fase C, os traders podem se concentrar em buscar sinais de compra confiáveis. Segundo o modelo, essa fase pode ser seguida por um período de prosperidade que favorece a valorização dos ativos.

Use a análise técnica para definir o momento certo de entrar em uma operação. Espere sinais de que a queda está terminando no gráfico diário, acompanhe os sinais de compra e venda com indicadores como o RSI ou o MACD e avalie a atividade do mercado com base no volume de negociação. Os ciclos de mercado ajudam a determinar a direção geral, enquanto a análise técnica ajuda a identificar os pontos de entrada e saída. Padrões semelhantes também foram estudados por George Tritch, que aprofundou as ideias de Benner.

Principais regras de gerenciamento de risco para iniciantes

Ao usar estratégias de longo prazo, lembre-se de que nenhuma previsão garante lucro. Os resultados no trading dependem não só da estratégia, mas também de um gerenciamento de risco adequado. Mesmo considerando a suposta precisão do ciclo de Benner e as profecias de Benner para o futuro, os traders devem estar sempre preparados para mudanças rápidas nas condições do mercado.

A regra principal é não arriscar todo o seu capital. Em geral, recomenda-se limitar o risco de cada operação a 1–2% do saldo da conta. Defina um stop loss ao abrir uma posição para limitar as possíveis perdas caso o preço se mova contra você. Esse é um princípio básico do gerenciamento de risco.

Outra regra é realizar os lucros aos poucos nos períodos de preços altos, em vez de esperar uma reversão completa do mercado. Não tente pegar o topo absoluto correndo o risco de perder os lucros que você já obteve.

Conclusão

Em resumo, o ciclo de Benner pode ser usado como ferramenta complementar para a análise de mercado de longo prazo. Ele pode ajudar os traders a avaliar as tendências de longo prazo e a ajustar seu planejamento financeiro. No swing trading, a teoria de Benner também pode servir como referência complementar para identificar as tendências mais amplas do mercado.

Samuel Benner defendia que os mercados se movem em ciclos, que ele associava, entre outras coisas, a emoções humanas recorrentes, como a ganância e o medo. Para obter resultados positivos, os traders precisam entender o panorama geral do mercado, agir com cautela e manter a disciplina. No entanto, os pontos-chave do ciclo não devem ser tratados como sinais totalmente confiáveis, já que sua precisão depende de muitos fatores.

Perguntas frequentes

Samuel Benner começou a desenvolver sua teoria depois de falir durante o Pânico de 1873. Ele tentou entender o que havia acontecido e observou que os preços do ferro-gusa e das commodities agrícolas mudavam em intervalos recorrentes. 

O ciclo de Benner coincide com algumas grandes crises financeiras, incluindo a Grande Depressão, o crash das ponto com e a crise financeira global de 2008. No entanto, essas coincidências não devem ser consideradas previsões exatas. O modelo foi criado muito antes do surgimento dos índices de ações modernos, e sua capacidade de previsão não foi comprovada. 

Segundo algumas interpretações modernas das profecias de Benner para o futuro, 2026 corresponde a um período de preços altos. Para os investidores de longo prazo, isso pode ser um motivo para ter mais cautela e reavaliar suas posições compradas. No entanto, o modelo não consegue prever com segurança que uma queda virá necessariamente e se estenderá até 2030.

Ciclo de Benner: o que é o gráfico de Samuel Benner e como usá-lo nos investimentos

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