Quando o Bitcoin caiu de US$ 69.000 até US$ 16.000 em 2022, o mercado “gritava” que “a cripto morreu” numa série de artigos e publicações. Foi doloroso, mas pelo menos era compreensível: todos estavam em pânico, todos estavam vendendo, todos estavam discutindo. Mas agora é diferente.
O Bitcoin perdeu mais de 50% de máximo de outubro de 2025 em nível de US$ 126.000. A capitalização de mercado das criptomoedas diminuiu de US$ 4,3 trilhões até US$ 2,19 trilhões. O índice de “medo e ganância” mantém-se na zona de “medo” desde outubro, os valores estão flutuando de 13 (medo extremo) até 50 (zona neutra), mas sem subir mais. Os fluxos ETF mudaram o sinal: em 2024, o influxo era superior a 500.000 BTC, enquanto em 2026, o refluxo constituiu cerca de 120.000 BTC.
Eu vi como o bitcoin ser "enterrado" mais de 10 vezes. Eu vi uma falência da Mt. Gox, proibições da China, falência da Terra e FTX. E cada vez quando a multidão gritava "a cripto acabou", começava um novo ciclo e tudo reiniciou. Mas a situação atual é especial. E para entender se a cripto vai se recuperar, é preciso analisar mais profundamente do que no gráfico de preços.
Neste artigo analisaremos:
Os fatores principais
- O Bitcoin perdeu mais de 50% em relação ao máximo de outubro de 2025 (US$ 126.000), negociando cerca de US$ 62.000–65.000. Isto é a terceira maior correção na história, depois de 2018 e 2022.
- Com as criptomoedas caindo, a capitalização de mercado encolheu de US$ 4,3 trilhões para US$ 2,2 trilhões — uma queda de 48% a 49%. As altcoins sofreram mais: muitas perderam 70%-95% de máximos.
- Os fluxos ETF se reverteram: após o influxo acima de 500.000 BTC em 2024, em 2026 foi registrado um refluxo líquido cerca de 120.000 BTC. No entanto, em julho, surgiram os primeiros sinais de reversão: o influxo de US$ 292 milhões em IBIT de BlackRock interrompeu uma série de 8 semanas de refluxo.
- O índice de "medo e ganância" mantém-se na zona de "medo extremo" (18–24) desde outubro de 2025. Isto é o período mais longo deste segmento baixo dos últimos 5 anos.
- A atividade dos desenvolvedores é ambígua: O Ethereum superou 1 milhão de desenvolvedores de todos os tempos. Mas, a atividade geral no mercado cripto está caindo — os commits semanais diminuíram 75% ao longo do ano e o número de desenvolvedores ativos de 56%, já que os talentos migram para projetos de IA. A exceção são os desenvolvedores experientes (com mais de 2 anos de experiência em cripto): o seu número aumentou 27% e agora representam cerca de 70% de todos os commits.
- Os investidores institucionais não abandonaram: o total de ativos dos ETFs spot de Bitcoin atinge cerca de US$ 80,8 bilhões (dos quais US$ 70,6 bilhões estão no IBIT da BlackRock). Em abril de 2026, o influxo foi de US$ 2,44 bilhões, mas em maio, a tendência se reverteu — o refluxo de US$ 1,55 bilhões por seis dias úteis consecutivos. As grandes instituições financeiras continuam construindo as infraestruturas.
- O Bitcoin está cada vez mais dependente de sentimento em relação às ações das empresas de inteligência artificial: a correlação entre eles subiu para 0,84, o máximo desde 2022. Quando as ações das empresas de inteligência artificial caem, a cripto cai junto, em vez de ficar imune.
- Michael Saylor e a Strategy deixaram de ser compradores líquidos: a companhia vendeu 3.588 BTC para financiar pagamentos de ações privilegiadas. Isto muda a narrativa da "posse infinita".
- O hashrate da rede Bitcoin continua atualizando os máximos, apesar de queda do preço. Isto sugere que as empresas de mineração não acabam, continuam operando a longo prazo.
- O volume de stablecoins nas bolsas atingiu os US$ 180 bilhões — um "barril de pólvora" de liquidez que espera um sinal para entrar no mercado.
A cripto morreu? A resposta curta
A cripto não morreu. Pode dizer que está “em coma”. A tecnologia blockchain está funcionando, a rede Bitcoin está processando transações, o Ethereum ultrapassou recentemente o nível de 1 milhão de desenvolvedores ao longo de sua história, os protocolos DeFi trazem receitas reais, o setor de RWA cresceu 200% por ano, superando os US$ 33 bilhões e a tokenização de títulos do Tesouro dos EUA está se acelerando — já não é um projeto de alto risco, mas uma ferramenta funcional.
No entanto, o mercado não é tecnologia. O mercado é o sentimento. E o sentimento agora é horrível.
Mas há uma nuance importante: a criptomoeda deixou de ser o macro-ativo com maior sensibilidade ao mercado. As ações das companhias de inteligência artificial assumiram este papel. Isto significa que, mesmo se macroeconomia melhore, o dólar entrará primeiro para as ações de empresas de inteligência artificial e só depois para ativos cripto.
Uma notícia desfavorável consiste em que a recuperação poderá demorar mais tempo do que estamos habituados. Uma boa notícia é que a cripto está no “fundo” que significa que surgem oportunidades de entrada agora mesmo. Historicamente, as métricas on-chain que analisaremos mais abaixo, sinalizaram sobre o “fundo” os 2-3 trimestres antes de reversão. Permanecemos exatamente nesta fase.
Mais importante, não acredite nas manchetes que dizem que a “cripto morreu”. É a mesma velha história de sempre. A cripto não morreu — apenas aguardam o catalisador seguinte.
A cripto se acabou? Por que todos estão enterrando a criptomoeda?
As manchetes dizem: "O Bitcoin está morto", "O fim da criptomoeda", "O fracasso do Bitcoin". Cada queda alimenta a narrativa da "morte" dos ativos digitais. No entanto, "Teoria do cisne preto" pode acelerar a queda, mas não destruirá a tecnologia funcional. Mas sejamos honestos: já passamos por isso.
O Bitcoin foi enterrado após a queda de US$ 1.000 a US$ 200 em 2014, de US$ 20.000 a US$ 3.000 em 2018, de US$ 69.000 a US$ 15.000 em 2022. E cada vez, regressava a novos máximos históricos. Então, por que o Bitcoin está caindo desta vez e por que é diferente agora?
- O efeito ETF. Os ETFs spot deveriam tornar o mercado mais estável. Em vez disso, aumentaram a pressão: quando os investidores retiram capital, os ETF são forçados a vender o ativo básico, criando uma espiral descendente. Desde o início de 2026, os refluxos líquidos do ETF de BTC atingiram quase 100.000 BTC. Isto é o pior resultado durante toda a história do instrumento. A mecânica é simples: o mercado entra em pânico e retira dinheiro do ETF, o fundo vende Bitcoin no mercado, o preço diminui mais e o pânico aumenta. É um ciclo ursino clássico, mas com alavancagem institucional.
- Strategy (MicroStrategy antigo). Michael Saylor era um símbolo de “compre e mantenha”. A empresa acumulou mais de 840.000 BTC. Agora, permitiu formalmente as vendas. Strategy já vendeu 3.588 BTC (~US$ 216 milhões) para pagar dividendos. Um dos principais touros do mercado tornou-se um potencial urso. Isto minou a confiança: se até Saylor está vendendo, o que dizer de nós? Embora a venda constituiu menos de 0,5% de suas reservas, o efeito psicológico foi colossal.
- Os macro-fatores. O Federal Reserve mantém as taxas em nível 3,50–3,75%. A inflação ainda está acima de nível-alvo 2%. Os mercados esperam não um corte, mas um possível aumento das taxas de juros. Isto é um “veneno” para ativos de risco. As taxas de juros elevadas fortalecem o dólar e tornam as criptomoedas menos atrativas. O índice DXY mantém-se perto de 101, pressionando adicionalmente o Bitcoin.
Mas o mais importante é que o pânico no mercado se tornou crônico. O índice de "medo e ganância" está na zona de "medo extremo" desde outubro de 2025. Não é apenas o medo – é uma apatia que é pior do que o pânico. Pois bem, o pânico termina com uma onda de vendas, mas a apatia pode durar anos. Observamos isto nos baixos volumes de trading, na ausência de novos participantes e na calmaria das redes sociais.
A cripto pode "morrer"?
Tecnicamente, não. O blockchain não pode "morrer" enquanto existir pelo menos um nó funcional. Mas o mercado pode morrer se a demanda desaparecer.
No entanto, ainda existe a demanda. Os investidores institucionais não abandonaram – apenas estão esperando. Os ETFs spot de Bitcoin acumularam cerca de US$ 80,8 bilhões de ativos. Segundo pesquisa da State Street, 86% dos investidores institucionais já detêm ativos digitais ou planejam começar a detê-los. Grandes instituições financeiras, tais como a BlackRock e Fidelity continuam expandindo suas divisões de cripto.
A cripto só "morrerá" se a tecnologia deixar de resolver problemas reais. E a mesma os resolve. As finanças descentralizadas oferecem acesso aos créditos e seguros a milhões de pessoas sem conta bancária. RWA (ativos reais) permitem tokenizar imóveis e títulos, tornando-os acessíveis aos retalhistas. As stablecoins tornaram-se uma ponte entre as moedas fiduciárias e a cripto e a sua capitalização conjunta supera os US$ 310 bilhões.
Portanto, não, o fim da criptomoeda não acontecerá. Mas o inverno cripto pode prolongar-se e precisamos estar preparados para isso.
O Bitcoin morreu? O que os dados mostram
Vamos desativar as emoções e analisar os números. Eles falam mais alto do que qualquer manchete.
O preço e a dinâmica
O Bitcoin iniciou 2026 em nível US$ 96.000 e caiu ao longo do primeiro trimestre até atingir US$ 62.700. Em julho, o preço caiu até US$ 57.815, mas depois se recuperou. Isto representa uma queda de cerca de 48% em relação ao pico de outubro — ainda um mercado ursino profundo, embora já não "menos 50%”.
Mas o importante é que esta queda não foi causada por problemas fundamentais do Bitcoin, mas pela liquidação forçada da alavancagem. Larry Fink (CEO da BlackRock) chamou isso de "purga do excesso de alavancagem" e disse estar "muito otimista" para os próximos 12 meses. Não são palavras ocas - a BlackRock gerencia mais de US$ 15 trilhões e tem acesso aos dados que nós não vemos.
As métricas on-chain: o que realmente acontece "abaixo de capota"
O preço é apenas o cume do iceberg. Para entender se a cripto está "morta" ou apenas está "descansando", é necessário analisar os dados on-chain. Veja os quatro indicadores-chave que os profissionais utilizam para diagnosticar o mercado.
SOPR (Spent Output Profit Ratio)
SOPR mostra se os participantes vendem moedas com lucro ou prejuízo. Um valor acima de 1 significa realização de lucro; abaixo de 1, capitulação — ou seja, venda com prejuízo. Atualmente, SOPR mantém-se próximo de 1,0, indicando um mercado equilibrado sem vendas em pânico.
Existe uma versão mais precisa — aSOPR (Adjusted SOPR) que filtra as moedas movidas durante uma hora para eliminar ruído. Segundo os dados de Glassnode, aSOPR está em nível 0,972 — abaixo de 1,0, mas perto de limite neutro. O analista Ali Martinez observa: quando o aSOPR superar 1,0 e se fixar acima, será o primeiro sinal do início de um ciclo de alta.
As reservas nas exchanges
O indicador mede o número de Bitcoins armazenados nas bolsas e prontos para a venda. Quanto menor for o número de moedas disponíveis nas bolsas, menor será a pressão potencial de vendedores.
Desde 2024, as reservas estão descendo constantemente, de mais de 3,2 milhões de BTC até aproximadamente 2,73 milhões de BTC em março de 2026. A participação do Bitcoin nas bolsas diminuiu até 6,6% de oferta total, o nível mais baixo desde 2017. Os analistas da Santiment consideram isto "um dos sinais mais assegurados para o crescimento de longo prazo".
No entanto, há uma nuance: uma parte de Bitcoins não foram para armazenamento “frio”, mas para custodiantes institucionais de ETFs e protocolos DeFi. No entanto, o próprio fato de redução da oferta líquida continua a ser algo positivo.
Endereços ativos
O número de endereços únicos que participam em transações por dia, isto é o indicador da utilização real da rede. Em agosto de 2025, o indicador atingiu o máximo em 938.609 de endereços ativos (média móvel de 7 dias). Até março de 2026, caiu 30%, para ~655.000.
Mas também há boas notícias: em julho de 2026, os endereços ativos cresceram 9% e superaram 660.000. Isto pode ser o primeiro sinal de que o interesse à rede está regressando. Vale a pena notar que uma parte deste crescimento foi garantido por transações de protocolo de baixo custo (Ordinals, Runes) e não grandes transferências econômicas.
Hashrate
Hashrate é a capacidade computacional total dos mineradores. Isto mostra o quão segura é a rede e o quão confiantes os mineradores estão no futuro.
Apesar de queda do preço, hashrate mantém-se próximo de valores recordes. Em julho de 2026, o "hashrate verdadeiro" foi cerca de 929 EH/s (exahash por segundo) — a rede estava se aproximando ao máximo histórico, mas ainda não superou o pico de setembro de 2025 em 1.441 EH/s. Os mineradores não estão encerrando, estão modernizando os equipamentos e aumentando as capacidades. Isto é um sinal de certeza a longo prazo.
O que significa tudo isto em conjunto?
Uma análise conjunta de todos os quatro indicadores mostra que não há vendas em pânico, as reservas estão diminuindo e o mercado está na fase de acumulação. SOPR flutua cerca de 1,0, indicando ausência de medo ou ganância extremos.
Ao mesmo tempo, noto que existem três métricas principais: aSOPR, Puell Multiple e Reserve Risk — ainda estão abaixo de valores neutros, confirmando que um ciclo taurino completo ainda não começou. Mas a estrutura do mercado está se deslocando gradualmente para acumulação.
Conclusão: o Bitcoin não está morto. Está esperando um catalisador que lance uma nova bull run (ciclo de alta). Todos os indicadores fundamentais, tais como rede, mineração, interesse institucional, continuam a ser fortes. O preço é apenas um reflexo do sentimento e o sentimento é cíclico.
Quando o mercado de criptomoedas se recuperar?
Os seguintes fatores podem favorecer a recuperação do mercado das criptomoedas.
O regresso dos influxos de ETFs
Muitos bancos dizem diretamente: “Não vale a pena esperar uma recuperação brusca das cotações das criptomoedas até que os influxos líquidos regressem aos ETFs”. E isto é lógico. Os ETFs tornaram-se o principal canal do capital institucional. Enquanto os refluxos continuam, o mercado seguirá fraco.
Já existem os primeiros sinais de reversão: o influxo de US$ 292 milhões em IBIT durante uma semana. Mas um ou dois dias não é suficiente, é necessária uma tendência estável. Se observarmos um influxo líquido durante três ou quatro semanas consecutivas, isto será um sinal de que o “fundo” já passou.
A flexibilização da política monetária do Federal Reserve
O Bitcoin prospera em condições de liquidez barata. Agora, as taxas estão elevadas e os mercados consideram uma probabilidade cerca de 79% de aumento, em vez de corte, até o fim do ano. Assim que Fed começar a sinalizar sobre uma reversão, isto será um poderoso catalisador. A primeira redução da taxa de juros, mesmo de 0,25%, pode tornar-se um gatilho para a subida dos ativos de risco.
O arrefecimento do boom da IA
As criptomoedas deixaram de ser os ativos mais arriscados – este papel foi assumido pelas ações das companhias de inteligência artificial. Enquanto o boom da IA continua, o capital continuará fluindo para elas. Assim que a situação se estabilizar, a cripto se tornará novamente atrativa. Isto pode acontecer devido às restrições regulamentares ou à decepção em relação às expectativas.
A clareza regulatória
Nos EUA, CLARITY Act está suspenso. Assim que a incerteza regulamentar diminuir, os investidores institucionais regressarão com uma força dupla. Coinbase prevê que os ETFs, as stablecoins, a tokenização e uma regulamentação mais clara criarão um efeito cumulativo. Especialmente, o destino da Lei CLARITY e a possível classificação do ether como uma mercadoria são importantes.
As previsões dos analistas:
- Standard Chartered — US$ 100.000. O banco cita a ciclicidade histórica e a flexibilização esperada por parte do Fed.
- Bernstein — US$ 150.000. O cenário otimista baseado na aceitação institucional.
- Citi. Diminuiu a previsão de US$ 112.000 a US$ 82.000 devido à macro-incerteza.
- JPMorgan, um dos bancos mais otimistas prevê um novo máximo histórico e estabelece um objetivo teórico em US$ 170.000–266.000 — o crescimento está relacionado com a aprovação da CLARITY Act e ao fluxo de capital institucional.
O cenário realista: a recuperação começará quando os fluxos de ETF se estabilizarem e o quadro macroeconômico melhorar. Mas alta volatilidade mantém-se, por isso, a perspectiva para as criptomoedas segue incerta - prepare-se para algumas flutuações.
Os paralelos históricos: após o pico de 2017, o Bitcoin caiu durante 12 meses até atingir o seu mínimo e depois subiu durante 3 anos até atingir um novo máximo. Em 2022, a queda durou 13 meses e a recuperação até US$ 100.000 levou cerca de 2 anos. Se este cenário se repetir, estaremos aproximadamente no meio de inverno cripto e um novo ciclo taurino poderá começar em 2027.
Vale a pena comprar criptomoedas durante um inverno cripto?
Vale a pena comprar bitcoin agora? É uma questão de estratégia, não de emoções. Mas para responder a esta questão de forma objetiva, precisamos de basear-se em dados e não em medo.
Uma métrica que quase nunca falha: MVRV
MVRV é a relação entre a capitalização de mercado e a capitalização realizada. Em palavras simples, a capitalização de mercado é o preço atual de todas as moedas. A capitalização realizada é o preço pelo qual cada moeda foi movida pela última vez no blockchain. Se MVRV > 1, o mercado está com lucro. Se < 1 — o mercado está com prejuízo.
Historicamente, um MVRV abaixo de 1 era um sinal forte de “fundo”:
- Dezembro de 2018. MVRV desceu até 0,62. O Bitcoin custou ~US$ 3.200. Dentro de um ano — US$ 10.000. Dentro de dois anos — US$ 29.000.
- Março de 2020. MVRV desceu até 0,71 durante a queda durante a pandemia de Covid. O Bitcoin custou ~US$ 5.000. Dentro de um ano — US$ 60.000.
- Novembro de 2022. MVRV desceu até 0,73. O Bitcoin custou ~US$ 16.000. Dentro de dois anos — US$ 100.000+.
- Julho de 2026. MVRV caiu por quatro trimestres consecutivos — de 2,185 em Q4 de 2025 até 1,130 em Q3 de 2026. A capitalização de mercado diminuiu US$ 1,15 trilhões e a realizada — apenas de US$ 13 bilhões. A proporção 89:1.
O quê significa isto? Quando MVRV está inferior a 1, os possuidores de longo prazo estão com prejuízo e o medo está atingindo o pico. É justamente nesses momentos que os investidores pacientes acumulam posições. Atualmente, MVRV está cerca de 1,13 — ainda não chegamos ao “fundo” absoluto, mas já estamos perto de zonas históricas de entrada.
Outros sinais confirmativos:
- SOPR está perto de 1,0 — o mercado está equilibrado, não há pânico.
- As reservas nas exchanges estão nos mínimos desde 2017— a oferta de venda diminui.
- O hashrate está perto das máximas históricas — os mineradores estão apostando no futuro da rede.
- O índice de "medo e ganância" está na zona de "medo extremo" — normalmente, isto é uma zona de acumulação.
- O volume de stablecoins nas bolsas atingiu US$ 180 bilhões — um potencial "barril de pólvora" de capacidade de compra.
Mas também existem riscos:
- Strategy (MicroStrategy anterior) poderá continuar as vendas, se o preço descer ainda mais, embora isto seja pouco provável, não pode ser excluído.
- Os refluxos ETF poderão fortalecer-se, se o quadro macroeconómico se agravar, por exemplo, com uma nova ronda de inflação ou uma crise geopolítica.
- A pressão regulatória nos EUA ou na Europa pode criar uma incerteza adicional.
A minha opinião pessoal: se considera um horizonte de 1-3 anos — os níveis atuais parecem atrativos. A combinação de MVRV próximo de 1,1; SOPR está na zona neutra, hashrate próximo do recorde e reservas nas exchanges mínimas é uma combinação historicamente poderosa. Mas não entre com todo o depósito ao mesmo tempo. Para os iniciantes, trading com criptomoedas não deve começar com uma compra com todo o depósito. Utilize uma estratégia de preço médio (DCA) - compre em pequenas porções uma vez por semana ou por mês. E nunca invista mais do que está disposto para perder.
Conclusão
A cripto não morreu. Está passando por uma fase de inverno cripto que está testando a resistência de todos: de traders varejistas até gigantes institucionais.
As principais conclusões:
- O Bitcoin perdeu quase 50% do seu preço desde o pico, mas os indicadores fundamentais (hashrate próximo dos máximos históricos, desenvolvedores, interesse institucional) continuam seguem fortes. Isto é uma correção cíclica, não de um colapso.
- A cripto está no “fundo” — MVRV diminuiu até 1,13, SOPR está em zona neutra, as reservas nas exchanges estão nos mínimos desde 2017 e hashrate mantém-se em níveis recordes. Historicamente, estes níveis foram os melhores pontos de entrada.
- A recuperação acontecerá, mas apenas quando os influxos de ETF regressarem, Fed flexibilizar a política monetária e o boom da IA esfriar.
- O inverno cripto é um período de possibilidades. Utilize DCA e oriente-se pelos dados on-chain e não para manchetes. Não ceda ao pânico - é o seu principal inimigo.
A cripto se acabou? Não. Isso é apenas o fim da euforia e o início de maturação da indústria. Assim que o mercado se livrar de participantes fracos, começará um novo ciclo taurino. A única questão é se estarão preparados para isso.
As perguntas frequentes
Para um investidor de longo prazo, sim, sob condição de que seja utilizada uma estratégia de preço médio. Os valores dos MVRV, SOPR e o hashrate estão se aproximando às zonas históricas de subvalorização. Mas a volatilidade de curto prazo pode ser elevada, por isso, invista apenas recursos que você pode se dar ao luxo de perder.
Sim. O Bitcoin é um ativo digital com uma oferta limitada e uma crescente adoção institucional. Os ETFs spot, tesourarias corporativas e o desenvolvimento da infraestrutura blockchain confirmam o seu potencial de longo prazo. O futuro do bitcoin está ligado à sua função de reserva de valor: ele pode se consolidar como o ouro digital nas carteiras institucionais.
A decisão depende de horizonte e risco aceitável. Se espera o crescimento de longo prazo, mantenha a posição. Se precisar de dinheiro nos próximos um ou dois anos, faz sentido realizar parte dos ativos. Não venda sob a influência de medo.

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